Curso 3: Noites brancas | Fiódor Dostoiévski
Curso 3: Noites brancas | Fiódor Dostoiévski
4 aulas; cada uma com, no mínimo, 2 horas.
A novela Noites brancas (1848) é a última obra literária que o escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) escreve em liberdade. No fim da década de 1840, o futuro autor de clássicos como Crime e castigo (1866), O idiota (1869), Os demônios (1872) e Os irmãos Karamázov (1880) foi preso pela polícia política do regime tsarista, a Okhrana, por fazer parte do Círculo de Petrachévski, um grupo revolucionário que pretendia abolir a servidão na Rússia – reforma que só viria a se consolidar em 1861 – e estabelecer um regime socialista no país. A novela seguinte de Dostoiévski, Nietótchka Niezvânovna (1849), já seria escrita dentro da prisão da Fortaleza de Pedro e Paulo, em São Petersburgo. Em dezembro de 1849, a pena de morte a que haviam sido condenados os integrantes do Círculo de Petrachévski seria comutado pelo tsar, à iminência dos disparos, e revertida em longos anos de trabalhos forçados na Sibéria, onde Dostoiévski seria coagido a passar toda a década de 1850, antes de receber a permissão para retornar a São Petersburgo.
A cidade de São Petersburgo, com seus canais e pontes por sobre o rio Nievá, é o cenário primaveril da novela Noites brancas, que se desenrola a partir do encontro da jovem Nástienka com um jovem sonhador, altamente insuflado pela dimensão romântica do amor. Em uma das pontes do canal Fontanka, afluente do rio Nievá, Nástienka espera a chegada de seu antigo amor, com quem, um ano antes, combinara um encontro precisamente no local em que, agora, desponta o sonhador dostoievskiano. À falta do amor antigo, o coração transbordante de Nástienka se entrega, durante 4 dias, ao jovem sonhador, que, a princípio, parece ver realizadas as fantasias românticas de entrega e comunhão amorosas. Porém, quando o amor primeiro de Nástienka realmente aparece entre as noites primaveris de São Petersburgo, ao longo das quais o sol não se põe – daí a denominação das “noites brancas” –, o sonhador romântico se vê preterido em relação ao passado da jovem de apenas dezessete anos.
Conseguirá o jovem sonhador dostoievskiano caminhar entre os escombros de seu romantismo e resgatar o ímpeto de entrega e comunhão da dura e injusta realidade repleta de frustrações e desencontros? O coração transbordante de Nástienka encontrará guarida em seu antigo amor? Tais questões se impõem em face do desenlace ardentemente dostoievskiano da novela Noites brancas, obra-prima do então jovem Dostoiévski que já prenunciava o sumo talento do autor para desvelar os paroxismos e paradoxos da condição humana, que anseia amar e sofrer (o jovem sonhador chega até mesmo a torcer pelo bom amor de Nástienka com seu rival…) em medidas tão antitéticas quanto umbilicalmente irmanadas.
Aula 1: Diálogos (tensos) de Dostoiévski com a tradição filosófico-literária do romantismo europeu: os laivos cristãos de entrega e comunhão em tensão com o ardor narcísico e egoísta da condição humana. A cidade de São Petersburgo, com seus canais, entre os quais a Fontanka, e pontes por sobre o rio Nievá, como uma efetiva personagem da novela Noites brancas. Leitura e análise da parte I da novela: Primeira Noite.
Aula 2: A heroína Nástienka, de dezessete anos, e a promessa feita por seu antigo amor de que o casal ora separado voltaria a se encontrar, um ano depois, na precisa ponte da Fontanka em que, agora, Nástienka depara com o jovem sonhador dostoievskiano, ávido para que o mundo corrobore suas projeções idílicas de amor romântico calcado em entrega e comunhão. Leitura e análise da parte II da novela: Segunda noite.
Aula 3: Repleta de contradições (e frustrações), a vida parece corroborar, a princípio, o amor romântico fortemente desejado pelo jovem sonhador: diante da ausência do antigo amor, do qual o sonhador tem ciência desde o início, Nástienka lhe entrega o coração transbordante, e as noites brancas de São Petersburgo testemunham a tentativa de comunhão ardorosa entre os protagonistas. Ocorre que o espectro de um possível retorno do antigo amor de Nástienka fustiga o jovem sonhador com sensações ambíguas que ele antes desconhecia: entre o ciúme doloroso pelo amor dividido de Nástienka e a vontade de abraçá-la com paixão, o sonhador começa a sentir em si a dor paradoxal de quem tanto vive pelo amor de Nástienka quanto como que, por torcer muito por sua felicidade, começa a entrevê-la sorridente também nos braços do rival. Como vemos, o talento de Dostoiévski para desvelar as contradições da condição humana já desponta em Noites brancas. Leitura e análise da parte III: Terceira noite.
Aula 4: Conseguirá o jovem sonhador dostoievskiano caminhar entre os escombros de seu romantismo e resgatar o ímpeto de entrega e comunhão da dura e injusta realidade repleta de frustrações e desencontros? O coração transbordante de Nástienka encontrará guarida em seu antigo amor? Tais questões se impõem em face do desenlace ardentemente dostoievskiano da novela Noites brancas, obra-prima do então jovem Dostoiévski que já prenunciava o sumo talento do autor para desvelar os paroxismos e paradoxos da condição humana, que anseia amar e sofrer (o jovem sonhador chega até mesmo a torcer pelo bom amor de Nástienka com seu rival…) em medidas tão antitéticas quanto umbilicalmente irmanadas. Leitura e análise da parte IV: Quarta noite. A manhã.
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação e youtuber, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.
Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.
É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).
É colunista do site Brasil 247, para o qual escreve ficções sobre sua experiência nômade no continente europeu. Colabora, periodicamente, para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; e para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí.
Apresenta aos sábados, na TV 247, o programa Filosofia do Cotidiano, ao longo do qual analisa fatos e processos da contemporaneidade por prismas histórico-filosóficos.
Valor do curso: R$ 650,00
Formas de pagamento:
1. PIX – Chave do PIX: nomade.editora@gmail.com
Para ter acesso às aulas, envie o comprovante do PIX, por favor, para um dos seguintes e-mails:
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2. Para solicitar pagamento por boleto bancário ou de forma parcelada, em até 12 vezes, pelo cartão de crédito, envie uma mensagem, por favor, para um dos seguintes e-mails:
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3. Entre em contato pelo WhatsApp: +55 11 95559-4912
Observações: O curso não pressupõe conhecimento prévio da obra de Dostoiévski. Recomenda-se a leitura de Noite brancas, de Fiodor Dostoiévski, da Editora 34.
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Escritor, professor, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler e apresentador do programa Filosofia do cotidiano (TV 247), é doutor em Letras pela USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA).


