Curso 7: Memórias do subsolo e O sonho de um homem ridículo | Fiódor Dostoiévski
Curso 7: Memórias do subsolo e O sonho de um homem ridículo | Fiódor Dostoiévski
7 aulas; cada uma com, no mínimo, 2 horas.
A novela Memórias do subsolo (1864) e o conto O sonho de um homem ridículo (1877), obras-primas do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), trazem à tona extremos icônicos de uma trajetória literário-filosófica que poderíamos chamar de a divina comédia dostoievskiana, ao longo da qual o grande autor estabelece marcos para a superação do niilismo bem próprios ao homem do subsolo e aos primeiros movimentos do homem ridículo, de modo a delinear a travessia transcendental da crise rumo à cicatrização da condição e da história humanas.
O homem do subsolo, (anti-)herói da novela e paradoxalista autoproclamado, não consegue romper com seu ciclo infernal (sua masmorra) de rivalidade, mágoa e ressentimento em relação a muy amigos que ele (supostamente) despreza, mas sem cujo juízo não pode passar. Quando a jovem Liza lhe estende a mão aberta da amizade e do acolhimento, o niilismo já lhe corroeu de tal forma a fé na vida e nas pessoas que ele rechaça a moça sem mais. Não nos esqueçamos, ademais, de que o homem do subsolo, com seu ímpeto irracionalista e (auto)destrutivo, além de prenunciar as elaborações do psicanalista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) sobre a pulsão de morte, se enreda em profundas discussões com a intelligentsia revolucionária russa de meados do século XIX, para a qual a razão humana, por si só, bem poderia transformar a sociedade e as relações humanas. (As críticas do homem do subsolo à racionalidade, cujos sonhos bem poderiam produzir monstros, prenuncia muito da reversão da utopia em distopia que a história do século XX nos pôde apresentar.)
O homem ridículo, por sua vez, parece dar continuidade ao naufrágio niilista do homem do subsolo: diante de relações humanas danificadas e sem qualquer comunhão; em face de um mundo e de sua própria vida desprovidos de sentido, o homem ridículo decide dar cabo de si em uma gélida e lúgubre noite de São Petersburgo. Mas, assim como Liza veio a reboque do homem do subsolo, uma pobre criança pedindo ajuda para a mãe, ao provocar comiseração em nosso (anti-)herói, faz com que ele consiga discernir em si ainda pontes de sentido (a compaixão) com as pessoas e a vida. É o pedido de ajuda da menininha que acaba sendo a mola para o sonho transcendental, que o fará descobrir os motivos para o colapso da comunhão humana e o reconciliará com a vida, de modo a rechaçar o suicídio e a querer partilhar com os demais o pólen redentor de sua descoberta.
Ao longo de nosso curso, analisaremos as trajetórias polares do homem do subsolo, prisioneiro e carcereiro de sua masmorra subterrânea, e do homem ridículo, grande personagem dostoievskiana a superar o niilismo, de modo a descobrirmos como Fiódor Dostoiévski entrevia as (im)possibilidades de redenção humana.
Aula 1: análise da primeira parte, O subsolo, da novela Memórias do subsolo, de Dostoiévski | Parte I de II;
Aula 2: análise da primeira parte, O subsolo, da novela Memórias do subsolo, de Dostoiévski | Parte II de II;
Aula 3: análise da segunda parte, A propósito da neve molhada, da novela Memórias do subsolo, de Dostoiévski | Parte I de II;
Aula 4: análise da segunda parte, A propósito da neve molhada, da novela Memórias do subsolo, de Dostoiévski | Parte I de II;
Aula 5: análise da Parte I do conto O sonho de um homem ridículo, de Dostoiévski;
Aula 6: análise das Partes II e III do conto O sonho de um homem ridículo, de Dostoiévski;
Aula 7: análise das Partes IV e V do conto O sonho de um homem ridículo, de Dostoiévski.
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação e youtuber, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.
Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.
É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).
É colunista do site Brasil 247, para o qual escreve ficções sobre sua experiência nômade no continente europeu. Colabora, periodicamente, para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; e para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí.
Apresenta aos sábados, na TV 247, o programa Filosofia do Cotidiano, ao longo do qual analisa fatos e processos da contemporaneidade por prismas histórico-filosóficos.
Valor do curso: R$ 1.300,00
Formas de pagamento:
1. PIX – Chave do PIX: nomade.editora@gmail.com
Para ter acesso às aulas, envie o comprovante do PIX, por favor, para um dos seguintes e-mails:
within_emdevir@yahoo.com.br
nomade.editora@gmail.com
socrático.vassoler@gmail.com
2. Para solicitar pagamento por boleto bancário ou de forma parcelada, em até 12 vezes, pelo cartão de crédito, envie uma mensagem, por favor, para um dos seguintes e-mails:
within_emdevir@yahoo.com.br
nomade.editora@gmail.com
socrático.vassoler@gmail.com
3. Entre em contato pelo WhatsApp: +55 11 95559-4912
Observações: O curso não pressupõe conhecimento prévio da obra de Dostoiévski. Recomenda-se a leitura da edição da Editora 34.
Compartilhe:
Escritor, professor, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler e apresentador do programa Filosofia do cotidiano (TV 247), é doutor em Letras pela USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA).


