Curso 18: Fiódor Dostoiévski e Friedrich Nietzsche
Curso 18: Fiódor Dostoiévski e Friedrich Nietzsche
4 aulas; cada uma com, no mínimo, 2 horas.
Leitor contumaz do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), que, em 2021, completa 200 anos, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), exímio analista da condição humana, chegou a afirmar que Dostoiévski era “o único psicólogo com quem ainda tenho algo a aprender”.
A despeito das vocações parelhas para analisar os cumes e, sobretudo, os vales e cavernas do ser humano, Dostoiévski e Nietzsche tomam caminhos radicalmente antípodas quando se trata de analisar a condição do homem e da mulher modernos a partir do questionamento histórico-filosófico sobre a potencial (in)existência de Deus.
Enquanto o cristão Dostoiévski descobre no niilismo que rompe a ligação do ser humano com a transcendência e a eternidade do espírito e dos valores a fonte primordial para a agonia, o egoísmo narcisico e o ressentimento do homem e da mulher modernos, o ateu Nietzsche considera a morte de Deus a pedra (isto é, a lápide) sobre a qual o super-homem (Übermensch) soerguerá seu reino de afirmação radical desta vida para além do niilismo cristão, que projeta a afirmação da vida em um além-mundo que o filósofo alemão julga inexistente.
O curso colocará o homem do subsolo (Memórias do subsolo, 1864), o príncipe Míchkin (O idiota, 1869), Kiríllov (Os demônios, 1872) e Ivan Karamázov (Os irmãos Karamázov, 1880), personagens seminais de Dostoiévski que sintetizam as tensões modernas em suas trajetórias, ímpetos e agonias, em diálogo com algumas das principais obras de Nietzsche, entre as quais Sobre a utilidade e a desvantagem da história para a vida (1874), A gaia ciência (1882) e Além do bem e do mal (1886), para analisarmos as respostas radicalmente diversas fornecidas pelo escritor russo e o filósofo alemão para a modernidade.
Aula 1: Visões radicalmente antípodas de Dostoiévski e Nietzsche sobre a potencial morte histórica de Deus no século XIX da Revolução Industrial e do cientista inglês Charles Darwin (1809-1882): fonte primordial e agônica do niilismo moderno, para o escritor russo e sua personagem Kiríllov (Os demônios); fonte primordial e vivaz da vontade de potência para o filósofo alemão, em seu aforismo “O homem louco” (A gaia ciência).
Aula 2: Se Deus não existe, tudo é permitido? Para Dostoiévski e sua personagem Ivan Karamázov (Os irmãos Karamázov), o exílio de Deus implica a erosão de quaisquer bases éticas e a impossibilidade de qualquer refreamento para o narcisismo e o egoísmo humanos. Para Nietzsche, o réquiem de Deus finda a pré-história humana e abre alas para o super-homem (Übermensch), cujos valores e ações estariam Além do bem e do mal.
Aula 3: Memória e culpa, esquecimento e vontade de potência. Para Dostoiévski e o príncipe Míchkin (O idiota), a memória e a culpa erigem pontes entre a ilha do eu e o continente do outro. Para Nietzsche, em seu ensaio Sobre a utilidade e a desvantagem da história para a vida, esquecimento e vontade de potência são condições mesmas para que o eu, alçado por sobre ilhas e continentes, afirme a vida apesar da morte.
Aula 4: Vontade de potência, em face da vida; (im)potência da vontade, diante da morte. Para Dostoiévski e o homem do subsolo, (anti-)herói da novela Memórias do subsolo, a vitalidade da vontade de potência se esturrica em ressentimento se não houver uma reconexão do ser com a transcendência. Além do bem e do mal, Nietzsche considera que, fadado à morte, o ser que chegou ao cume de sua força pode (isto é, deve) reger o apagamento de suas próprias luzes: “Porque tudo o que é forte nesta vida vem a fenecer”.
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, psicanalista em formação e youtuber, é doutor em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University, que fica em Evanston, nos Estados Unidos.
Durante o mestrado, realizou um curso de língua russa e pesquisas bibliográficas junto à Universidade Russa da Amizade dos Povos, que fica em Moscou, na Rússia.
É autor do romance O evangelho segundo talião (nVersos, 2013); do livro de ensaios e aforismos sobre cinema, literatura e teoria social Tiro de misericórdia (nVersos, 2014); do livro-tese Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018); do livro de crônicas, ficções e ensaios Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019); e do romance de formação em diálogos Metamorfoses, os anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).
É colunista do site Brasil 247, para o qual escreve ficções sobre sua experiência nômade no continente europeu. Colabora, periodicamente, para o caderno literário “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo; para o caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo; e para as revistas Carta Capital, Veja e Piauí.
Apresenta aos sábados, na TV 247, o programa Filosofia do Cotidiano, ao longo do qual analisa fatos e processos da contemporaneidade por prismas histórico-filosóficos.
Valor do curso: R$ 650,00
Formas de pagamento:
1. PIX – Chave do PIX: nomade.editora@gmail.com
Para ter acesso às aulas, envie o comprovante do PIX, por favor, para um dos seguintes e-mails:
within_emdevir@yahoo.com.br
nomade.editora@gmail.com
socrático.vassoler@gmail.com
2. Para solicitar pagamento por boleto bancário ou de forma parcelada, em até 12 vezes, pelo cartão de crédito, envie uma mensagem, por favor, para um dos seguintes e-mails:
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socrático.vassoler@gmail.com
3. Entre em contato pelo WhatsApp: +55 11 95559-4912
Observações: O curso não pressupõe conhecimento prévio das obras de Dostoiévski e Friedrich Nietzsche.
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Escritor, professor, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler e apresentador do programa Filosofia do cotidiano (TV 247), é doutor em Letras pela USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA).


