As emoções provocadas pela partida das oitavas da Copa 2026 entre Argentina 3 x 2 Egito tocam em praticamente todos os escaninhos limítrofes da condição humana:
EUFORIA pelo fato de, até mais de 35 minutos do segundo tempo, o bom e velho Egito estar à frente da nossa arquirrival por 2 a 0;
INDIGNAÇÃO pelo fato de a comissão de arbitragem ter anulado, de maneira completamente irregular, um gol feito pelo Egito que poderia ter sepultado nossa arquirrival (por Milei ser um lacaio trumpista, é preciso beneficiar nuestros hermanos?);
ÓDIO pelo fato de torcedores argentinos terem se manifestado de forma criminosamente racista contra jogadores egípcios;
NOJO pelo fato de a comissão de arbitragem ter aplicado um cartão amarelo contra o técnico egípcio Hossam Hassan, justamente após o treinador, que sempre se manifestou a favor dos palestinos, ter requisitado o protocolo da FIFA contra o racismo (nos EUA comandados pelo nazista Donald Trump, nada de novo no front, tragicamente);
ADMIRAÇÃO pelo fato de Lionel Messi, o super craque portenho que já conquistou absolutamente tudo e que não deve nada a ninguém, ter se redimido do pênalti perdido com um golaço e ter chorado copiosamente após a partida, como um menino ainda sedento de vida;
INVEJA pelo fato de a Argentina ter jogado com uma garra radicalmente corinthiana, coisa que nossa atual Canarinho desalmada e de futebol pífio não fez nem de longe contra a Noruega.
Não fosse a França, que está jogando o fino da bola do outro lado do chaveamento, eu já começaria a cravar o tetracampeonato da Argentina, contra o qual, é claro, eu torcerei com todo o ímpeto, a despeito de ser grande admirador da literatura, do cinema e da gastronomia de nuestros hermanos. De qualquer forma, a Argentina vem com vigor pra lá de redobrado para que Messi, já há muito maior do que Maradona, se torne bicampeão mundial e, bem abaixo do rei Pelé, consolide sua posição como um dos maiores gênios da história do futebol.
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