Ontem, assisti a um vídeo em que a atriz estadunidense Brooke Shields fez a seguinte confissão a um jornalista de seu país: “Certa vez, Donald Trump me ligou para fazer uma proposta: ‘Brooke, você é a atriz mais querida dos Estados Unidos; eu, o homem mais rico. Que tal ficarmos juntos? As pessoas certamente vão gostar’”.
Afora a vulgaridade e a coisificação bem próprias à proposta de compra e venda, que, é importante frisar, foi feliz e imediatamente rechaçada por Brooke Shields, é fundamental dizer que há uma pista em linha reta que vai de tal atitude nauseante de Adolf Trump ao sequestro de Nicolás Maduro, ao assassinato de Ali Khamenei e ao bombardeamento nazista da escola para meninas no Sul do Irã, da mesma forma que há uma pista em linha reta que vai do estilingue paleolítico às bombas atômicas de nossos tempos niilistas.
Lembremos que, há não muito tempo, Adolf Trump fez uma postagem em sua rede social, Truth Social, na qual reverberava o fascismo de um comandante militar dos EUA contra os vietcongues no clássico Apocalypse Now: “Eu amo o cheiro de napalm ao amanhecer”. Não nos esqueçamos de que o napalm, ou agente ácido laranja, desfolhava as florestas do país do Sudeste Asiático, queimava a pele e as vilas de um sem-número de inocentes, além de legar o câncer junto com as bombas genocidas dos EUA.
Não, Trump, você não ama o cheiro de napalm ao amanhecer — aliás, o verbo amar, radicalmente intransitivo em sua boca-cloaca, é um escárnio à esperança como condição mais profunda das pessoas que só queremos ganhar o pão condignamente e abraçar nossos entes queridos. Você, Adolf Trump, é o próprio napalm.
Que a humanidade não seja extinta pela Terceira Guerra Mundial em que já entramos. Que Deus nos ajude.
Flávio Ricardo Vassoler, escritor, professor, youtuber, fundador da Universidade Virtual do Vassoler e apresentador do programa Filosofia do cotidiano na TV 247, é doutor em Letras pela USP, com pós-doutorado em Literatura Russa pela Northwestern University (EUA), e autor das obras O evangelho segundo talião (nVersos, 2013), Tiro de misericórdia (nVersos, 2014), Dostoiévski e a dialética: fetichismo da forma, utopia como conteúdo (Hedra, 2018), Diário de um escritor na Rússia (Hedra, 2019) e Metamorfoses, anos de aprendizagem de Ricardo V. e seu pai (Nômade, fiel como os pássaros migratórios, 2021).
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